sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Abusou três anos de menina


Arguido, de 42 anos, começou a abusar da filha da companheira quando ela tinha apenas 12. Abusos envolveram relações sexuais completas e só terminaram quando a vítima se queixou


Durante quase três anos, uma menor foi obrigada a manter relações sexuais completas com o homem a quem chamava pai. Os abusos começaram quando a menina tinha apenas 12 anos. O abusador, de 42, começou ontem a ser julgado no Tribunal de Silves, acusado de abuso sexual de criança, agravado.

O homem, que ouviu a acusação de cabeça baixa, admitiu em tribunal que o que fez "foi uma loucura que nunca devia ter acontecido". Antes do início da audiência já tinha confessado ao CM: "Sou culpado, mas estou muito arrependido."

Os abusos à filha da ex-companheira, com quem o arguido vivia numa zona rural do concelho de Silves, ocorreram entre 2009 e 2012. Nesse período, segundo o Ministério Público, o homem "obrigou a menor a ter relações com ele pelo menos uma vez por semana".

O abusador aproveitava os momentos em que a mãe da menor se ausentava de casa para trabalhar, em Silves, para manter relações sexuais com a criança, na casa onde a família vivia.

Foi a própria menina quem denunciou o caso, queixando-se dos abusos de que estava a ser vítima a uma professora da escola que frequentava. O estabelecimento alertou a Comissão de Proteção a Crianças e Jovens de Silves, e depois de uma reunião na escola com a mãe da criança – em que esta foi informada do que se estava a passar – a menina foi retirada à família.

O caso foi investigado pela Polícia Judiciária de Portimão, que acabou por confirmar as suspeitas de abuso sexual. Num primeiro momento, o arguido admitiu ter abusado da menina "uma única vez". Só mais tarde confessou ter tido relações sexuais com ela "muitas vezes". Foi apenas quando a menor se queixou que os abusos acabaram.

Crianças são arma de arremesso nos divórcios


Num divórcio, os filhos são muitas vezes armas de arremesso entre os pais. Crescem com a culpa de serem os responsáveis.


A minha mãe quer que eu me esqueça de metade de mim, disse André (nome fictício) à advogada Filomena Neto, referindo-se ao pai, de quem a mãe o escondera, impedindo o contacto. "Impressiona-me muito alguém com 15 anos andar à procura da outra metade dele. E não é o único a senti-lo, a diferença em relação aos outros é que consegue verbalizar. É de uma extrema violência um pai impedir o outro de estar com o filho."
André - e os outros - são filhos de divórcios sem mútuo consentimento. Filhos de casais em guerra aberta são muitas vezes as armas de arremesso no meio das trincheiras familiares. A lei do divórcio de 2008 facilitou a separação no papel, mas não poupou as crianças. "Este regime acabou com a roupa suja que era lavada em tribunal mas os pais começaram a aproveitar as sessões da regulação do poder paternal para se travarem de razões", explica o advogado Rui Alves Pereira, presidente da Associação A Voz da Criança.
A MÃE QUE FUGIU
André passou meses sem ver o pai, vítima de um ódio que um dia fora amor. "E o problema é que o tempo passa e cada dia o afastamento do outro progenitor é maior. Para os adultos, um ano é pouco tempo. Para alguém que tem cinco anos é um quinto da vida", remata Filomena Neto.
Rodrigo tem agora seis anos. Os pais separaram-se quando tinha dois. "As coisas começaram a correr mal quando ele nasceu porque a mãe desligou-se. Era eu que o tapava de noite, que me levantava quando o ouvia chorar. Não era viável eu e a mãe do Rodrigo continuarmos juntos. Separámo-nos e propus que ele estivesse um dia comigo e outro dia com a mãe, era a única maneira que eu tinha de garantir ao meu filho uma coisa tão básica como o banho: assim sabia que ele tomava banho dia sim, dia não", recorda Pedro, um empresário de 45 anos. Só que dois meses depois do acordo a mãe foi buscar a criança à escola num dia que era do pai. E desapareceu com o filho sem deixar rasto.
"Procurei por ele em toda a parte. Fiquei desesperado: sabia que o Rodrigo não tinha vínculo com a mãe e que dependia de mim". Sem contactos e sem saber o que fazer, Pedro acionou a regulação do poder paternal. "Dois meses depois fomos chamados a tribunal e quando lá cheguei descobri que a mãe do meu filho tinha posto um processo-crime contra mim por violência doméstica". O mundo de Pedro desmoronou. "Só voltei a ver o Rodrigo um ano depois na Segurança Social, uma vez por semana. Quando me viu depois desse tempo todo abriu a boca como que a perguntar: ‘Onde é que estiveste este tempo todo?' O meu filho esteve sequestrado pela mãe, fechado de tudo e todos". Meses depois, nova acusação: "A mãe participou à PJ que eu tinha abusado sexualmente do meu filho". Pedro foi "humilhado por uma técnica da Segurança Social. Tratava-me por ‘o pai abusador' em frente ao juiz - enquanto a mãe foi sempre ouvida como sendo a que tinha razão". Nessa altura, nas consultas do hospital, uma médica detetou que algo não estava bem com Rodrigo. O Serviço de Intervenção Precoce do Estado, também. O infantário onde entrara recentemente corroborou. O tribunal aumentou as visitas do pai a Rodrigo, por considerar que lhe faziam bem, mas a mãe voltou a desaparecer com a criança mais um ano, sem que ninguém a conseguisse localizar.
Pedro sofria cada vez mais. "Ia ao grupo de mútua ajuda da associação Igualdade Parental de 15 em 15 dias e chegou a falar em suicídio, por não aguentar não saber do filho, uma hipótese que muitos pais e mães colocam quando estão privados do contacto", explica o presidente da ONG, Ricardo Simões. "Numa página A4 com acusações infundadas destrói-se a vida de duas pessoas". Mas Rodrigo, ainda que longe, serviu de alavanca para o pai não desistir. E ainda bem. Face aos pareceres médicos e psicológicos, o tribunal decidiu pouco depois que a criança passaria uma semana com o pai e outra com a mãe. Na casa do pai, encontrou o boneco que não largava em bebé e que esteve três anos à sua espera.
"Quando estava com o pai, o Rodrigo era um menino feliz, espontâneo. Com a mãe, uma criança triste, reservada, oprimida", conta uma das técnicas que acompanhou o caso, a educadora de infância Zita Monteiro, da associação Passo a Passo - que faz desde 2012 mediação familiar e supervisão de visitas e convívios de crianças com pais por ordem do tribunal. Em fevereiro deste ano, Rodrigo foi entregue ao pai e retirado à mãe. Foi, ainda assim, proposto que a mãe fizesse visitas semanais, que ela recusou. Há seis meses que não vê o filho".
No outro dia, Rodrigo - que continua a ser acompanhado por especialistas porque o seu desenvolvimento foi comprometido pelas dificuldades nos primeiros anos de vida - disse ao pai: ‘O avô chamava-me e dizia para eu gravar no microfone que tu eras mau e que eu não queria ver-te. Dizia que se eu não dissesse ele se ia embora e não me fazia a árvore de Natal".
ALIENAÇÃO PARENTAL
Há quem chame alienação parental ao afastamento do filho de um dos progenitores, provocado pelo outro, em regra, o guardião - mas o termo não é consensual. "A imaginação humana é fértil em artimanhas, truques e outras subtilezas quando se pretende atingir um determinado fim, sem olhar a meios e sem se importar com as consequências. As motivações também são ou podem ser, muito variadas, mas, por norma, andam associadas a questões mal resolvidas da separação, a desejo de vingança e inveja", escreveu o juiz desembargador José Bernardo Domingos.
"Relembramos sempre às pessoas que não estamos a tratar do divórcio do filho, e sim do divórcio do casal. Não há divórcios para filhos e pais. Nós simplificámos o divórcio mas esquecemo-nos que por trás disso estão pessoas em sofrimento, que fazem coisas que em circunstâncias normais não fariam", acredita Filomena Neto. "As pessoas só se divorciam ao mesmo tempo no papel, porque emocionalmente há sempre um que se divorcia primeiro. E como estão em patamares diferentes entram num desequilíbrio emocional", sublinha Rui Alves Pereira. "Houve um aumento significativo dos exames sexuais a menores depois do caso Casa Pia, mas só no campo das agressões sexuais 5 a 10% são acusações falsas, desde alguém que quer prejudicar o outro em caso de divórcio a pessoas com distúrbios psiquiátricos", comenta Duarte Nuno Vieira, presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.
Susana queria separar-se de José. José não queria separar-se de Susana. "Ainda assim, durante os primeiros seis meses, e dentro da má relação que tínhamos, tivemos residência alternada: uma semana os nossos filhos estavam na minha casa, na outra semana na casa do pai. Quando meti os papéis do divórcio tudo piorou. Foram de férias com o pai em agosto e não voltaram. Estive dois meses e dezasseis dias sem os ver". Susana sabe os dias de cor porque chorou em todos eles. "No dia em que não voltaram é que me apercebi que o quarto estava quase vazio: durante os seis meses em que mantivemos a residência alternada foram mudando a pouco e pouco as roupas e os brinquedos para casa do pai sem que eu me apercebesse, já estava planeado".
No primeiro dia de aulas, Susana foi até à porta da escola. "Era a única forma de saber deles. Só que quando os vi já não conhecia os meus filhos, nem sequer me falaram". Quando se encontraram em tribunal para decidir a residência, Joana, a filha mais velha, de 12 anos (são três) levou um papel na mão que leu ao juiz. "Dizia que um dia eu tinha chegado tarde para o almoço, que por isso queria ficar com o pai". Susana não queria acreditar. "Os meus filhos fizeram-me lembrar as crianças que são raptadas e se apaixonam pelo raptor, até porque sempre tive uma relação mais próxima com eles do que o pai, que era mais autoritário. Só mais tarde soube o que era alienação parental, caiu-me um prédio em cima da cabeça", explica.
A residência das crianças passou a ser a casa do pai. A casa da mãe passaram a ir de 15 em 15 dias ao domingo, só que as coisas não corriam bem. "O meu ex-marido deu-lhes instruções no sentido de funcionarem como um bloco: nos primeiros tempos iam à casa de banho juntos, estavam sempre juntos no quarto, vigiavam-se uns aos outros. Partiam o quarto todo de cada vez que vinham a minha casa e quando iam de férias mudavam todos de número de telemóvel. Aquilo que o pai lhes diz é que o traí, que destruí a nossa família". José, de cada vez que a encontra diz que as crianças não suportam a mãe, mas a verdade é que o tribunal não concorda e Susana conseguiu recentemente que eles passassem um fim de semana de 15 em 15 dias com ela e todas as quartas-feiras.
"A Joana começa a aproximar-se mais de mim só que os dois mais novos cada vez que veem dizem que vão contar ao pai. Mas já se sentam à mesa comigo, temos regras de convivência, mas ainda não recuperei os filhos que perdi há dois anos".
MÃE NÃO SE DESLOCA 20 QUILÓMETROS
Jorge (nome fictício) vive a 150 quilómetros da filha. Já está quase há um ano sem a ver. "Quando ficou desempregado deixou de ter dinheiro para ir vê-la: ou paga a pensão de alimentos ou gasta o dinheiro na viagem". Acresce que a forma mais barata do pai ir ver a filha "é de autocarro, só que como ela mora numa aldeia o transporte não vai até lá. A mãe da criança teria de se deslocar 20 quilómetros para a levar ao pai mas diz que não vai, não se flexibiliza minimamente para que o encontro com a menina aconteça", conta Ricardo Simões, da associação Igualdade Parental.
"Há muitos pais e mães que desistem a meio do caminho, porque esperam tanto tempo...Depois de tentarem tudo, com polícia, sem polícia, a baterem à porta, a telefonarem, a ir ao tribunal e nada mudar, baixam os braços. Não desistem só por si, mas também pelas crianças que assistem em sofrimento às lutas do casal e sentem que os pais se separaram por sua causa", explica Zita Monteiro, da Passo a Passo. Na associação - que funciona como último recurso no entendimento dos pais - "tenta-se que a criança veja o outro progenitor com outro olhar e que estabeleça com ele a relação que foi interrompida ou que nunca chegou a existir".
A regra é os pais não se cruzarem no espaço, que deve ser neutro e imparcial. "O não residente chega antes e já se encontra dentro do espaço quando chega o outro com a criança. Há situações em que a zanga é tão grande que à saída temos de aguardar que o primeiro carro saia, só depois de passar é que abrimos a porta ao outro. Também já tivemos de chamar a PSP para evitar agressões entre o casal". E - acrescenta Tânia Martins, assistente social na mesma associação - a maioria dos processos (neste momento têm 70) acontecem com pais de uma classe média e média alta. "Aliás, quanto mais formação académica têm, mais difícil é o processo porque as pessoas têm mais defesas, mais resistência e maior capacidade de argumentação", explica a psicóloga clínica Filipa Nogueira.
"Há situações de conflito que são temporárias e não passam de réplicas de um sismo. Depois existem situações que perduram no tempo e o amor aos filhos torna-se apenas em posse, um exercício de poder puro e duro", explica Filomena Neto. "Tive uma vez uma cliente que tinha duas filhas, uma de dois e outra de quatro anos e que não deixava, nem por decreto, o pai ver as crianças desde que ele tinha junto iniciado uma nova relação. Dizia: ‘Nem pensar que as minhas filhas possam estar com essa p***.' Um dia, ao sair do meu escritório a minha cliente é atropelada uns metros mais à frente, a atravessar a passadeira. Morreu. Com quem é que foram viver as crianças que ficaram sem mãe? Com o pai que mal conheciam, porque não viam há meses, o que dificultou o processo todo", recorda Filomena.
"Fiquei sempre a pensar que era melhor não existir vida eterna, porque se existir essa senhora nem precisava de ir para o inferno porque já lá estava. Somos muito arrogantes e arrastamos os miúdos para situações muito complicadas, a verdade é essa", conclui. O caso que mais marcou o advogado Rui Alves Pereira ainda hoje o emociona. "A minha cliente lutou até à exaustão pela filha. Raptou-a e trouxe-a para Portugal, porque estava a morrer com um cancro e queria passar os últimos dias de vida com ela. Quando o processo se resolveu finalmente em tribunal, com o pai da criança, ela morreu uma semana depois". Mas cumpriu o último desejo.
CAIXA: OS FILHOS RICOS DE MEIOS POBRES
O mediador familiar Jaime Roriz diz que os conflitos estão mais acesos porque a sociedade evoluiu. "Antigamente o trabalhador sujeitava-se ao patrão, tal como um pai que era afastado de um filho se sujeitava a isso. A consciência dos direitos fez as pessoas litigar mais". "Isso também mexeu com a noção de que os filhos pertencem à mãe; isso só não acontecia quando a mãe era marginal. Agora, o mais comum é a residência partilhada", acrescenta Filomena Neto. Hoje, o que acontece, com frequência - e que é uma violência contra as crianças - é que muitas são pobres não sei quantos dias por mês e quase ricas durante dois dias, consoante os rendimentos dos progenitores. São "os filhos ricos de meios pobres". Como é que se explica a uma criança de cinco anos que não pode levar o casaquinho vermelho de que tanto gosta porque só pode usar quando está com o pai?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Por que deve ter cuidado com o que partilha nas redes sociais



Por que deve ter cuidado com o que partilha nas redes sociais

  • Quando partilhamos informação nas redes sociais muitas vezes esquecemos o alcance (e o impacto) que essa partilha pode ter. Um comediante mostra em vídeo o tipo de situações que permitimos ao tornarmos pública informação privada.
Jack Vale pesquisou em redes sociais os perfis de pessoas que vivem na sua zona, o que o deixou mais do que preparado para realizar a partida.
Abordando desconhecidos na rua, o homem trata as pessoas pelo primeiro nome e mostra que sabe detalhes das suas vidas privadas, como o nome do animal de estimação, o nome de familiares, datas de aniversário ou até o local de trabalho.
Nem todos os apanhados reagiram bem:
«Obrigadinho por invadires a minha privacidade», diz uma das «vítimas». «A próxima vez que fizeres isso chamo a polícia», ameaçou. «Oh não, foi só uma partida», responde Vale.
O utilizador do Google+ Mat Lai comentou «É por isto que não devemos publicar coisas sobre a nossa vida pessoal».

terça-feira, 19 de novembro de 2013

15,5% das vítimas de violência doméstica são homens

Números oficias da Direcção-geral da Administração Interna. Estudo universitário sugere que só uma minoria se afirma vítima de violência.

Das mais de 26 mil vítimas de violência doméstica em Portugal que pediram ajuda no ano passado, cerca de 15,5% são homens, segundo números oficiais da Direcção-Geral da Administração Interna, referidos nesta segunda-feira durante a apresentação de um estudo universitário sobre o tema. A psicóloga Andreia Machado, da Universidade do Minho aplicou um inquérito cujos resultados indicam que embora 70% dos inquiridos afirmem ter sido vítimas de um comportamento abusivo nos últimos 12 meses, apenas 9% deles se afirmem vítimas de violência. Ainda existe uma relutância masculina em se admitir ser vítima de violência e o preconceito social é o principal motivo.
O inquérito incidiu sobre indivíduos de sexo masculino com mais de 18 anos e com relações heterossexuais. 60% dos inquiridos admitiu ser vítima de agressões psicológicas com impacto para a sua saúde mental, mas apenas 23% procurou ajuda. Destes, 83% relatam que os profissionais das forças de segurança “nada ajudaram”. Para Andreia Machado, o estudo da violência contra os homens está no patamar em que estava o estudo da violência contra as mulheres nos anos 70. A “feminização do fenómeno e a invisibilidade de outras faces do problema” conduz a que esta seja uma violência ainda não reconhecida socialmente no nosso país. Socialmente mas não só.
A psicóloga foi uma das oradoras presentes no seminário-debate As outras faces da violência doméstica, promovido pela Associação de Apoio à Vítima (APAV). João Paiva foi uma voz activa apresentando um caso de violência doméstica, o seu. “As pessoas desatam-se a rir na nossa cara, mesmo quem está destacado na esquadra para tratar de assuntos de violência doméstica”, disse.
Para esta testemunha na primeira pessoa, quando um homem pretende apresentar queixa por violência, é quase certo que esbarra num “comportamento estranho”. Diz ser necessário lutar contra a invisibilidade e a passividade das forças de segurança e da justiça e afirma ser difícil avançar-se para formalizações de processos. A razão, no seu entender, é uma: “sou homem”.
Um quarto dos jovens agredido
A violência nos relacionamentos entre jovens foi analisada por Rosa Saavedra, assessora técnica da APAV, que citou um estudo que indica que, de 4667 estudantes do ensino secundário, profissional e universitário, 25% afirmou ter sido vítima e 30% agressor numa situação de violência entre jovens.
Para Rosa Saavedra, de uma forma geral “os jovens condenam a violência, mas tendem a desculpar”. A banalização das formas ditas “menores” de violência e a desculpabilização da agressão em determinadas circunstâncias faz com que a maioria dos jovens não procure ajuda na solução dos seus problemas, muitas vezes  por falta de conhecimento dos recursos existentes. Os jovens precisam de ter mais informação acerca dos recursos formais de apoio. Para a especialista, “bater e pontapés é considerado agressão, mas muitos jovens pensam que controlar o telemóvel não é”, o que constitui uma certeza de que é necessário haver um trabalho sobre o que caracterizou como os “níveis normativos de violência”.
“Entre duas mulheres isso não acontece”
Só muito recentemente o código penal português passou a reconhecer como violência doméstica um acto de agressão ocorrido entre pessoas do mesmo sexo. Até 2007, a invisibilidade LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgénero) tinha contornos legais. A violência entre mulheres lésbicas foi objecto de uma campanha por parte da APAV em 2008, mas para Ana Cristina Santos, investigadora do centro de estudos sociais da Universidade de Coimbra, ainda há muito por fazer naquilo que classificou como a “dupla discriminação das mulheres lésbicas e o duplo armário de que são vítimas”.
Se já existe uma dificuldade numa relação heterossexual, esta dificuldade aumenta nas relações entre pessoas do mesmo sexo. Para a investigadora, o entender social das relações heterossexuais como a norma dificulta: “a heteronormatividade coloca as vítimas numa relação de fragilidade”, diz. Para além do estigma da agressão, a invisibilidade das relações lésbicas acentua “a opressão e o isolamento”. O envolvimento da academia, a consolidação do trabalho associativo e a formação de agentes institucionais educativos, de saúde, justiça e segurança poderá constituir a resposta necessária para pôr fim a esta dupla discriminação
Com o objectivo de proporcionar uma reflexão acerca das diferentes formas de vitimação, esta acção composta por um seminário e um debate constituiu aquilo que Catarina de Albuquerque, vice-presidente da APAV, afirmou serem “novas formas de actuação” da associação. A violência doméstica atinge todos os géneros, sexos e estratos da sociedade e é urgente lutar contra aquilo que definiu como o “amor que se transforma em controlo e medo”

Quem será a mãe da criança? Cristiano Ronaldo queixa-se de devassa da vida privada


CR7 não gostou de ver noticiado que Cristianinho tem tripla filiação, graças a duas mães mexicanas.
Ronaldo processou o Correio da Manhã e o Record por notícias relativas à filiação do filho AFP/Pierre-Philippe Marcou

Está marcado para esta quinta-feira o arranque de um julgamento que tem na sua origem um dos segredos mais bem guardados de Cristiano Ronaldo: a identidade da progenitora do filho da estrela do futebol.
Depois de muita especulação à volta do mistério, a revista Vidas do Correio da Manhã anunciou, em Agosto de 2011, a tripla filiação do rebento: Cristianinho tinha, afinal, nada menos que duas mães e um pai. Num artigo intitulado “Ama revela segredos do clã Aveiro – Conta que bebé do craque tem duas mães mexicanas”, o jornal noticiou, com base em declarações da ama da criança, como Ronaldo teria recorrido aos óvulos de uma das mulheres e à barriga da outra para se tornar pai. No dia seguinte, foi a vez de o jornal desportivo Record contar a mesma história.

Ronaldo não gostou e processou as duas publicações por devassa da vida privada. Os arguidos invocaram a nulidade da acusação, alegando que teriam revelado “tão só pretensos factos que seriam só pretensamente atinentes à vida privada” do futebolista, e não “factos que pertencem realmente ao domínio da reserva da vida privada e familiar”.

Foi pouco depois de Ronaldo ter anunciado que andava “triste” no Real Madrid, clube com o qual havia de renovar logo a seguir contrato até 2018, que o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu levar o caso a julgamento. “Estamos perante uma situação da esfera da intimidade que em circunstância alguma poderia ser invadida”, entendeu o juiz de instrução criminal encarregue do processo, criticando “o culto do sensacionalismo e do escândalo”.

Embora a esfera da vida privada das figuras públicas seja menor do que as do cidadão anónimo, os limites da vida familiar ou sexual de CR7 nunca poderiam ter sido ultrapassados sem o seu consentimento, escreve o magistrado, para quem “não interessa se os factos noticiados são verdadeiros ou falsos”.

Os jornalistas invocaram a disposição da lei de imprensa que prevê que seja o autor das declarações publicadas — neste caso, a ama de Cristianinho — o único responsável pelas mesmas, e não o órgão de comunicação social que as difundiu. O juiz de instrução criminal entendeu, porém, que a lei em causa não se aplica ao crime de devassa da vida privada, mas apenas a crimes contra a honra.

Subsiste um último problema: não foi até agora juntada aos autos nenhuma gravação da entrevista feita à ama de Cristianinho, não se tendo esta arguida disponibilizado para prestar esclarecimentos às autoridades sobre o assunto. Provar a realização da entrevista poderá, por isso, vir a revelar-se uma tarefa menos fácil, refere o despacho instrutório do processo.

Contactada pelo PÚBLICO, a direcção do Correio da Manhã não quis prestar declarações. Desconhece-se se por enquanto se Ronaldo, que será representado em tribunal pelo advogado Rui Patrício, terá de se apresentar em tribunal durante o julgamento.

Homem viola menina de 12 anos


Abusos sexuais aconteciam na casa em que ambos viviam.


Um homem, de 50 anos, foi detido depois de violar uma menina de 12 anos, de quem era familiar por afinidade. Os abusos sexuais tinham lugar na residência em que os dois viviam.
Apanhado pela Polícia Judiciária, através da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, o homem está agora em prisão preventiva.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jovem ganha prémio por fazer sexo com muitos estudantes

Elina Desaine admite ter sexo com pelo menos três homens diferentes por semana


Uma jovem estudante de engenharia informática foi eleita a estudante mais «ousada» do Reino Unido, num concurso organizado pelo site de encontros «Shagatuni».

Como prémio, Elina Desaine ganhou 600 euros e um ano de preservativos grátis.

A jovem de 20 anos, contou ao «Daily Mail» que não se recorda dos nomes de todos os seus parceiros sexuais, até porque chega a ter mais do que três por semana, mas confessa tentar manter uma lista com as alcunhas para mais tarde relembrar.

Elina também confessou que o concurso lhe suscitou ainda mais desejo sexual.

«Os meus amigos estão preocupados com o que os meus futuros patrões poderão pensar mas eu espero que eles percebam que isto só demostra que tenho mais autoestima do que as raparigas da minha idade», salienta a estudante.

A palavra de ordem para Elina Desaine é: diversão.

Mulher asfixiou até à morte os três filhos menores




Uma mulher de 39 anos matou os três filhos menores, em França. As crianças, com dois, três e cinco anos, foram asfixiadas no apartamento em Bar-le-Duc, onde os dois mais pequenos viviam.
 
foto AFP
Mulher asfixiou até à morte os três filhos menores
Prédio de apartamentos onde as crianças foram encontradas mortas
 
Uma família de acolhimento, que cuidava da criança mais velha desde o ano passado, deu o alerta às autoridades, porque a criança, de cinco anos, não regressou após passar o fim de semana com a mãe.
De acordo com os resultados preliminares da investigação, a mulher terá matado as crianças, duas meninas e um menino, na noite de sábado. Ficou ao lado dos filhos no apartamento e não conseguiu suicidar-se, como pretenderia.
"As três crianças estavam deitadas na cama. A mãe estava sentada ao lado, com uma faca no regaço, completamente transtornada", disse à Reuters o comissário da divisão policial de Bar-le-Duc, Olivier Hédon.
A mulher, desempregada, foi colocada sobre custódia policial e deve ser presente a um juiz na terça-feira, para conhecer as eventuais medidas de coação.
 

Google e Microsoft chegam a acordo para bloquear imagens de abusos infantis

Duas empresas são responsáveis por 95% do tráfego. Medida tinha sido pedida por David Cameron, mas especialistas dizem que muitos dos conteúdos são escondidos de outras formas.
As duas maiores empresas responsáveis por motores de busca na Internet, a Google e a Microsoft, chegaram a um acordo sobre um conjunto de medidas que vão permitir tornar mais difícil o acesso a imagens de pornografia infantil online.
São cerca de 100 mil os termos que as duas empresas conseguiram identificar como estando relacionados com este tipo de material através de algoritmos criados. A partir de agora, avança a BBC, sempre que o utilizador fizer uma pesquisa por essas palavras não conseguirá obter nenhum resultado e ainda receberá um alerta de que a pesquisa de imagens relacionadas com abusos sexuais infantis é ilegal.
O motor de busca da Google e o da Microsoft, o Bing, são responsáveis por 95% do tráfego de pesquisa na Internet, pelo que a medida conjunta cobrirá a maior parte das imagens ilegais disponíveis.
Ao Daily Mail, o presidente da Google, Eric Schmidt, disse ainda que o impacto da medida será ainda maior quando “brevemente” implementarem a medida em 150 línguas diferentes. Por agora as novas regras só estão a funcionar  em inglês e em apenas 13 mil dos termos identificados é que já aparece o alerta sobre o comportamento ilegal e alguns contactos específicos onde o utilizador pode procurar ajuda sobre a sua conduta.
Apesar de defenderem este tipo de medidas, muitos dos especialistas na protecção de crianças não acreditam que tenham o alcance pretendido, explica a BBC, justificando que muitas das imagens em questão estão escondidas de outra forma e são partilhadas sem o recurso a estes servidores.
De todas as formas, o primeiro-ministro inglês, que tinha impulsionado e apelado a medidas urgentes neste sentido, já veio congratular-se com o passo, mas assegurou que ou é mesmo implementado e eficaz ou vai avançar para legislação nesse sentido.
Aliás, no final de Julho, David Cameron já tinha dito que queria que as empresas ligadas à Internet bloqueassem o acesso a imagens que mostrem abusos sexuais de crianças ou pornografia infantil. Já na altura tinha dito que, se tal não fosse feito voluntariamente, faria uma legislação sobre o tema.
“Depravadas e repugnantes” foram as palavras escolhidas por Cameron para descrever os resultados das pesquisas permitidas pelas empresas. Logo em Julho, a Google garantiu que, sempre que se depara com imagens relacionadas com pedofilia, as remove assim que possível.
Novas ferramentas em desenvolvimento
Em Junho, a Google avançou também ao Telegraph que um dos motivos para por vezes ser demorado remover as imagens que envolvem crianças é a ausência de um sistema unificado que abranja, por exemplo, Yahoo!, Microsoft, Twitter e Facebook. Por isso, a gigante tecnológica começou a trabalhar num novo programa que permitirá de forma célere a troca de informações sobre pedofilia entre sites, Governos e organizações não-governamentais.
Aproximadamente 3,75 milhões de euros foi quanto a empresa decidiu destinar aos grupos National Center for Missing and Exploited Children e Internet Watch Foundation, como a outras organizações nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na América Latina. E cerca de 1,5 milhões de euros vão para a Child Protection Technology Fund, fundo criado com o objectivo de financiar o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas que auxiliem o combate à pornografia infantil.

Instituições de acolhimento de crianças recorrem a parcerias, vendas e padrinhos para contornar a crise


Especialistas alertam para riscos de algumas estratégias que podem estar a colocar em causa os direitos das crianças.
Redução de donativos privados e falta de apoio do Estado estão a fazer com que as organizações tentem quase tudo para conseguir verbas. A parceria é um dos exemplos das formas alternativas encontradas por estas instituições para captar financiamento que permita fazer frente à dificuldades trazidas pela crise. A venda de produtos e o apadrinhamento são outras das estratégias testadas.
No entanto, este tipo de estratégias inovadoras de captação de fundos tem riscos, avisa Natália Fernandes, professora do departamento de Ciências sociais da Educação da Universidade do Minho. Desde logo porque “alimentam uma ideia de assistencialismo”. O Estado não tem aumentado os apoios a este tipo de organismos e o recurso sistemático a donativos privados “desresponsabiliza” os poderes públicos, que têm deveres para com estas crianças, avisa a especialista.
Outro perigo é o de, algumas vezes, as iniciativas chocarem com o direito à imagem e à privacidade dos menores. “Isto vale para todas as crianças, mas em crianças em acolhimento temos que ter muito mais cuidado”, aponta.
É o que terá acontecido com o programa de “apadrinhamento” de cerca de duas dezenas de crianças acolhidas na Mundos de Vida, de Famalicão. Na “loja dos Abraços”, no site da instituição, foram colocadas as fotografias dos menores, com uma pequena nota biográfica e uma lista das necessidades mais urgentes de cada um. Era então feito um apelo a particulares para que pudessem contribuir com uma verba fixa entre os 20 e 30 euros mensais, durante um determinado período de tempo.
A iniciativa causou, porém, mal-estar junto de especialistas e técnicos da Segurança Social, que fizeram chegar as críticas à instituição. Nas últimas semanas a página foi, por isso, sofrendo várias correcções. Primeiros as fotografias foram alteradas – as imagens reais dos menores mantêm-se no site, mas foram trabalhadas digitalmente de modo a assemelharem-se a uma ilustração –, as histórias pessoais reduzidas e os nomes desaparecerem, sendo substituídos apenas por iniciais.
 “Estamos sempre a fazer alterações”, comenta Manuel Araújo, da Mundos de Vida, recusando que as alterações tenham sido motivadas pelas críticas recebidas. O dirigente da IPSS assegura que os nomes que chegaram a estar no site “nunca foram reais”, ao contrário das fotografias. “O uso de fotografias de banco de imagens seria demasiado artificioso”, justifica. A ideia da instituição era criar uma campanha que fosse “sobretudo educativa”, explica e toda a campanha foi feita com o acordo dos pais das a quem estas foram retiradas. Apesar da polémica, a iniciativa foi um sucesso e, em poucas semanas, todas as crianças foram apadrinhadas, com os contributos a chegarem um pouco de todo o lado, de Famalicão aos Estados Unidos.
Trabalhar o triplo para conseguir metade
Nos últimos anos, Movimento ao Serviço da Vida, a IPSS que gere a Casa das Cores, viu os donativos privados sofrerem uma redução drástica. Mesmo mantendo o número de contribuições estável, o seu valor desceu mais de 50% e a campanha anual de angariação de fundos recolheu este ano menos 40% das verbas que no ano anterior. “Estamos a ressentir-nos da crise ao mesmo tempo que aumenta o número de solicitações”, conta a presidente da instituição, Madalena Vasconcelos.
Por isso, o organismo teve que encontrar forma de chegar a novos públicos para tentar manter a sua actividade. A parceria com o Hard Rock é disso exemplo. Os tons garridos da Casa das Cores vão percorrer as ruas da cidade de Florença no próximo domingo (24 de Novembro). Será durante a maratona daquela cidade italiana, em que uma barmaid do Hard Rock de Lisboa vai vestir uma t-shirt do centro de acolhimento de menores em risco para o promover. A participação na maratona faz parte de uma iniciativa global do “franchising” de bares, a “Hard Rock Runners”, ao abrigo da qual cada estabelecimento escolhe uma pessoa da sua equipa para correr por uma causa local. A parceria engloba também workshops de cocktails e um concerto solidário, que acontece no bar da Avenida da Liberdade, em Lisboa, na próxima quarta-feira , com a receita de bilheteira a reverter para a instituição.
Num âmbito distinto, a AMA – Associação de Amigos do Autismo, uma IPSS de Viana do Castelo, será responsável pelo renascimento do festival de Vilar de Mouros, no próximo Verão, fazendo reverter os lucros para a construção da sua nova sede, orçada em 3,5 milhões de euros. Na próxima semana (20 a 27 de Novembro), será possível praticar várias modalidades como yoga, pilates ou natação no Centro de Desporto da Universidade do Porto, em troca de duas embalagens de bens alimentares não perecíveis ou bens de higiene pessoal, que reverterão para a Associação Protectora da Criança.
Face às dificuldades “é preciso trabalhar o triplo para conseguir metade”, diz Madalena Vasconclelos, da Casa das Cores. A instituição lançou recentemente um livro infantil – “Juca, amigo guardião da Casa das Cores”, com texto de Pedro Branco e ilustração de Vera Guedes – apostando na sua venda na quadra do Natal, que se junta à gama de t-shirts que vai vendendo no seu site. Aquela instituição faz uso também de um canal no Youtube e uma página no Facebook para tentar fazer chegar a mensagem a outros públicos.
Também nisso que pensou a Ajuda de Berço, em Lisboa, quando criou a sua página na rede popular mais popular. A instituição vai enfrentando as dificuldades com os proveitos de uma campanha lançada há três anos, quando esteve na iminência de encerrar uma das suas casas de acolhimento. Hoje, os donativos são praticamente nulos e o dinheiro em caixa “só chega para enfrentar 2014”, diz Sandra Anastácio, fundadora e dirigente da instituição há 15 anos. Por isso teve que inovar. Mas a aposta no Facebook foi um fracasso. “Era bom para a marca, mas prejudicial para as crianças acolhidas”, conta. Isto porque havia quem utilizasse a página institucional para ir criticar e comentar decisões judiciais envolvendo crianças institucionalizadas e as suas famílias. “Convém ter muita cautela porque estamos a falar de crianças”, sublinha Sandra Anastácio.